O PAPEL DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA REVITALIZAÇÃO DE LÍNGUAS EM EXTINÇÃO POR MEIO DO PROCESSAMENTO DE LINGUAGEM NATURAL
Resumo
Este artigo investiga o papel do Processamento de Linguagem Natural (PLN) e da Inteligência Artificial (IA) na preservação e revitalização de línguas em extinção. Com a previsão de que quase metade das cerca de 7.000 línguas do mundo pode desaparecer até o final do século (Crystal, 2000; Unesco, 2003), tecnologias como reconhecimento automático de fala (ASR), tradução automática e corpora digitais surgem como ferramentas relevantes, ainda que limitadas. Projetos como o Rosetta Project, o Masakhane e iniciativas latino-americanas demonstram que avanços recentes, incluindo aprendizado transferido, modelos de grandes linguagens (LLMs) e técnicas de anotação semiautomática, podem ampliar o alcance dessas tecnologias. No entanto, a aplicação de PLN em línguas minoritárias enfrenta contradições importantes: a exigência de grandes volumes de dados pode desviar esforços de documentação tradicional (livros, dicionários, materiais pedagógicos), e a introdução de novas tecnologias pode favorecer a substituição linguística em vez da preservação. A partir da análise de experiências recentes e da literatura mais atual (Pinhanez et al., 2024), o artigo discute como a integração entre inovação tecnológica, participação comunitária e práticas linguísticas tradicionais é condição indispensável para que a IA contribua para a diversidade linguística global.
Palavras-chave: Linguística Computacional, Inteligência Artificial, Revitalização de Línguas, PLN, Tecnologia e Línguas.