“ERA SÓ O QUE ME FALTAVA”

POR UMA TIPOLOGIA DOS EXCLUSIVOS NO PORTUGUÊS BRASILEIRO

Autores

  • Adriano Lopes Rodrigues Universidade Federal de São Carlos

Resumo

Na língua portuguesa, mais especificamente no português brasileiro, os itens como ‘só’, ‘somente’, ‘exceto’ e dentre outros dessa natureza podem ser classificados pela semântica formal como “exclusivos”. Não há na literatura em semântica e pragmática formais análises destes itens sob essa óptica no PB. Frente a isso, este trabalho se debruça em estudar os itens exclusivos do PB por meio de duas teorias de análise de exclusivos: a Teoria de Máximos e Mínimos de Coppock e Beaver (2013) e a Teoria Morfossemântica de Wiegand (2018); ambas possuem como objeto de estudo os exclusivos da língua inglesa, em especial as partículas just e only. Propomos que os exclusivos do português também se enquadram nos moldes teóricos apresentados e podem ser classificados inicialmente em dois grupos distintos: Exclusivos de Focalização e Exclusivos de Negação. Os primeiros visam delimitar e/ou excluir elementos de um conjunto maior em que estão inseridos (como é o caso de ‘só’ e ‘apenas’); já os segundos têm como foco a contraposição de dois conjuntos, havendo necessariamente uma relação de negação entre eles (como é o caso de ‘exceto’). Há ainda os exclusivos que têm um caráter especial, chamados por Beltrama (2021) de exclusivos enfáticos (EE): eles atuam na delimitação de alternativas no escopo em que atuam (na língua inglesa sendo o item just e em PB, ‘simplesmente’).  Para o PB, argumentamos que um EE prototípico seja o item ‘simplesmente’.

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Publicado

2025-11-21